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Dilma afirma que o governo vai agir com firmeza contra competição predatória

Presidente Dilma reitera compromisso com setor produtivo e promete agir com firmeza contra "competição predatória".

Ao anunciar medidas de estímulo à indústria nacional, a presidenta Dilma Rousseff disse ontem (3) que o governo vai agir com firmeza para defender as empresas, os empregos e a renda dos trabalhadores brasileiros. Segundo ela, o governo está atento à desvalorização das moedas, prática adotada pelos países mais afetados pela crise internacional que considera uma forma de "competição predatória". Ao reafirmar o compromisso do seu governo com o setor produtivo nacional, Dilma afirmou que o desenvolvimento do país depende de uma indústria forte, inovadora e competitiva.

"Vamos agir com firmeza nos organismos internacionais e adotar todas as salvaguardas possíveis para defender nossas empresas, nossos empregos e a renda de nossos trabalhadores. Nós sabemos que uma forma de competição predatória é a que usa medidas de desvalorização das moedas. Nós estamos atentos a essas práticas e vamos agir sempre dentro dos limites das normas internacionais", disse Dilma.

Ela explicou que a crise internacional requer a adoção de políticas fiscais sóbrias e cuidadosas, mas não o corte indiscriminado de investimentos e gastos. Segundo a presidenta, o Brasil já provou que não existe incompatibilidade entre o corte de gastos e o investimento no crescimento da economia.

"A melhor saída para a crise gerada nos países desenvolvidos e que afeta os emergentes não está na velha receita da recessão e da precarização do trabalho. Essa tem sido, para nós, a fórmula do fracasso que faz sempre as mesmas vítimas: os trabalhadores, os empresários, as forças produtivas. O corte indiscriminado de investimentos e gastos não pode ser celebrado quando forem apenas componentes de um quadro de recessão e paralisia."

Ao comentar a desoneração da folha de pagamento das empresas, uma das medidas anunciadas para estimular a indústria, a presidenta Dilma afirmou que o governo decidiu enfrentar o desafio de reduzir o custo salarial sem, no entanto, repetir o modelo adotado pelos países desenvolvidos.

"O ônus dos ajustes não recai sobre os trabalhadores. Não retira direitos ou reduz salários. Nós definimos uma forma de tributação mais adequada ao fluxo de receita das empresas. E o Tesouro vai compensar sempre eventuais perdas de arrecadação decorrentes das contribuições previdenciárias e ao mesmo tempo tomará todas as medidas para que não se crie a distorção de transformar em déficit uma política de governo de desoneração da folha de pagamento."

Dilma disse ainda que as novas regras do regime automotivo serão adotadas para proteger as empresas nacionais. "Quando se vê um aumento tão extraordinário e um processo de tentativa de canibalização de um mercado, a nossa preocupação não é de protecionismo, mas de defesa comercial, que é radicalmente diferente. Nós pretendemos focar no conteúdo nacional, na criação de inovações e na qualificação de nossos trabalhadores", afirmou.