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Reitores do Canadá fecham parceria com 27 universidades brasileiras

75 acordos de colaboração e bolsas foram assinados nesta semana.
Missão trouxe um terço de todas as universidades canadenses ao Brasil.

Na sexta-feira (27), o presidente do Conselho da Associação de Universidades e Faculdades Canadenses (AUCC, na sigla em inglês),
anunciou em uma coletiva de imprensa, em São Paulo, que 30 reitores de universidades canadenses fecharam nessa semana, 75 acordos de parceria, colaboração e bolsas de estudo com aproximadamente 27 universidades brasileiras.

Segundo a entidade, os acordos excederam as expectativas iniciais e somam um total de 6,74 milhões de dólares canadenses, o equivalente a cerca de 13,8 milhões de reais, investidos tanto pelas instituições do país quanto pelas parceiras brasileiras, além de agências de fomento dos governos federal e estaduais.

Quase um terço de todas as 95 universidades do Canadá decidiram enviar seus reitores ao Brasil para participarem da missão, que dura até a próxima quarta-feira (2) e inclui ainda eventos no Rio de Janeiro, Campinas e Brasília e tem como objetivo estreitar os laços educacionais e profissionais com a "potência econômica que é o Brasil", segundo Toope, que também é reitor da Universidade de British Columbia, província no Oeste do Canadá.

Os reitores comemoraram o acordo firmado na quarta-feira entre a presidente Dilma Rousseff e o governador-geral do Canadá, David Johnston, para destinar ao país norte-americano 12 mil das 100 mil vagas de bolsas de estudo no exterior previstas até 2014 pelo programa Ciência Sem Fronteiras.

De acordo com ele, apesar de cerca de 7 mil brasileiros viajarem todos os anos para estudarem no Canadá, a imensa maioria das matrículas está nas escolas de idiomas – o país é o primeiro destino de brasileiros interessados em aprender inglês, e o segundo país a recepcionar brasileiros atrás de cursos de francês.

Davidson afirmou que, atualmente, menos de 500 brasileiros estão matriculados em cursos de graduação e pós-graduação, mas anunciou que, a partir de setembro, o número vai dobrar com a chegada dos novos bolsistas do Ciência sem Fronteira.

As vagas asseguradas pelo governo brasileiro serão gerenciadas por diferentes entidades. Além da AUCC, a Mitacs, rede de pesquisa canadense que reúne 54 universidades do país, anunciou nesta sexta-feira um investimento de 6,75 milhões de dólares canadenses para o envio de 450 estudantes de graduação brasileiros para estudar no Canadá.

Arvin Gupta, que representa a Mitacs na missão, afirmou que os candidatos selecionados poderão ainda realizar estágios em empresas canadenses e prorrogar sua estada no país com bolsas de estudo na pós-graduação.

Demanda por brasileiros, mas pouca reciprocidade

De acordo com Stephen Toope, em 2010 uma missão parecida foi feita na Índia, mas com muito menos abrangência que a visita dos reitores ao Brasil nesta semana. O presidente do conselho da AUCC afirmou ainda que a entidade não pretende realizar outra iniciativa do tipo com outros países, porque quer usar os próximos dois anos para avaliar o resultado das missões à Índia e ao Brasil.

Heather Monroe-Bloom, presidente da McGill University, localizada na província de Québec e uma das universidades com laços mais estreitos com instituições brasileiras, afirmou que a diferença da missão brasileira em relação a outros acordos entre reitores é o fato de boa parte da demanda ter surgido dos próprios professores. "Estamos aqui porque os professores disseram que isso é uma prioridade para nós, sabemos que estamos assinando acordos que serão produtivos", afirmou.

Um dos desafios que os reitores sinalizaram, porém, é incentivar os estudantes canadenses a escolherem o Brasil como destino para estudar, pesquisar e estagiar. Eles disseram que, para tentar aumentar as estatísticas ainda pequenas de canadenses matriculados em instituições brasileiras, a AUCC estuda a implantação de programas de incentivo ao estudo da língua portuguesa no Canadá.

Informações do G1