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Não seja preconceituoso - hanseníase tem cura

Municípios devem se organizar para receber repasse financeiro do governo para ajudar no combate a hanseníase

Antigamente falar com a sociedade sobre determinadas doenças como tuberculose, Aids, esquizofrenia, entre outras era uma tarefa árdua para os médicos, devido o preconceito das pessoas por falta de conhecimento sobre a doença.

Dentre tantas doenças a mais temida era a "lepra", mal que deixava o doente completamente desfigurado, pois uma das características dessa doença é perca dos membros do corpo.

Muitas pessoas sofreram com a lepra, porém, o que mais maltratava o adoentado era o isolamento da sociedade ao qual era submetido.

Atualmente a "lepra" é conhecida como hanseníase e ao contrário do que acontecia no passado, as pessoas que contraem essa doença são tratadas com dignidade, pois hanseníase tem cura.

A hanseníase é uma doença infecciosa, de evolução crônica causada pelo Mycobacterium leprae, microorganismo que compromete principalmente a pele e os nervos das extremidades do corpo, sendo as regiões mais atacadas braços, mãos, coxas, pernas, pés e o rosto.

Diferentemente do que muitos pensam a hanseníase não é hereditária e seu desenvolvimento é determinado de acordo com o sistema imunológico da pessoa.

O governo aprovou, no ano passado, proposta que estabelece mecanismo de repasse financeiro do Fundo Nacional de Saúde (FNS) Estaduais, do Distrito Federal e Municipais, por meio do Piso Variável de Vigilância e Promoção da Saúde, para a implementação, implantação e fortalecimento da Vigilância Epidemiológica, com o objetivo de ajudar no combate às doenças infecciosas tais como a hanseníase.

Porém, para que o município receba a verba é necessário a adesão ao processo de qualificação que será formalizado por meio do Termo de Compromisso, constante no anexo I e submetido à Comissão Intergestores Bipartite (CIB), para aprovação.

A solicitação de adesão, acompanhada da Resolução da CIB e do Plano de Contingência pactuado e homologado deverão ser encaminhados ao Departamento de Vigilância das Doenças Transmissíveis da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde (DEVIT/SVS/MS).

Tipos de hanseníase

De acordo com os estudos realizados sobre a doença a mesma pode se manifestar de quatro maneiras:

Hanseníase Indeterminada
Este tipo é considerada a mais leve, pois evolui espontaneamente para a cura, na maioria dos casos. Geralmente se encontra apenas uma lesão, de cor mais clara que a pele normal, com diminuição da sensibilidade.

Hanseníase Tuberculóide
É a forma mais benigna e localizada, se manifestam em pessoas com alta resistência ao bacilo. Encontram-se poucas lesões, as vezes, apenas uma; de limites bem definidos e um pouco elevados e com ausência de sensibilidade. Neste caso, ocorrem alterações nos nervos próximos a lesão, podendo acarretar dores, fraqueza e atrofia muscular.

Hanseníase Dimorfa
A hanseníase Diforma é intermediária. Apresenta um número maior de lesões, as manchas podem atingir grandes áreas da pele, os nervos são bastante afetados. Esta pode polarizar para Virchoviana ou Tuberculóide.

Hanseníase Virchoviana
Neste tipo a imunidade da pessoa é nula fazendo com que o bacilo transmissor da doença se multiplique. Nesse caso o doente pode chegar a um quadro elevado de gravidade, podendo ter os pés e as mãos anestesiados ocasionando a perca da sensibilidade causando traumatismos e feridas que poderão acarretar deformidades, atrofia muscular, inchaço nas pernas e surgimento de nódulos.

Os órgãos internos também podem ser prejudicados pelas conseqüências da doença.

Transmissão da hanseníase

A hanseníase é transmitida diretamente da pessoa não tratada para a outra através das vias respiratórias. A doença pode ser desenvolvida em pessoas de ambos os sexos, de qualquer idade, raça e classe social.

Porém, a maioria das pessoas, mesmo estando exposta micróbio causador da doença, não adoece porque devido apresentar uma boa imunidade.

Um fato curioso dessa doença é que nem todos que a adquirem são capazes de transmiti-lo.

O período de incubação da hanseniase é de dois a cinco anos. Este período é o tempo necessário para o desenvolvimento dos primeiros sinais e sintomas da doença após o contágio ou contaminação pelo bacilo. Mas, depois do início do tratamento o paciente multibacilar deixa de transmitir a doença.

Sintomas

Manchas esbranquiçadas, avermelhadas ou amarronzadas em qualquer parte do corpo com perda ou alteração de sensibilidade. Em alguns casos, a hanseníase pode ocorrer sem manchas;
Pele seca e com falta de suor;
Área da pele com queda de pêlos, especialmente nas sobrancelhas;
Área da pele com perda ou ausência de sensibilidade ao calor, dor e tato;
Sensação de formigamento;
Dor e sensação de choque, fisgadas e agulhadas ao longo dos nervos dos braços e das pernas, inchaço de mãos e pés;
Diminuição da força dos músculos das mãos, pés e face devido à inflamação de nervos, que nesses casos podem estar engrossados e doloridos.
Úlceras de pernas e pés.
Nódulos no corpo, em alguns casos avermelhados e dolorosos;
Febre, edemas e dor nas juntas;
Entupimento, sangramento, ferida e ressecamento do nariz;
Ressecamento dos olhos;

Diagnóstico

A doença é diagnosticada através de exame clínico, que são feitos por meio de observação da pele, olhos, palpação dos nervos, avaliação da sensibilidade superficial e da força muscular dos membros superiores e inferiores.

Em raros casos será necessário solicitar exames complementares para confirmação diagnóstica.

Mas, caso precise de uma confirmação mais precisa o paciente deverá se submeter a um exame que realiza a pesquisa do bacilo de hansen na linfa.

Trata-se de um exame onde se extrai um líquido (linfa) das orelhas, cotovelos ou joelhos após pressioná-los com uma pinça especial. A linfa então é mandada para o laboratório para análise e pesquisa do bacilo de hansen.

Além, desse exame, em casos mais complicados, é feito a biópsia de um nervo periférico que foi comprometido pela doença e o mesmo é submetido a uma análise microscópica.

Tratamento

O tratamento da hanseníase é fornecido gratuitamente pelo governo e é realizados nos postos de saúde públicos. O tratamento recebe o nome de poliquimioterapia (PQT), porque utiliza a combinação de três medicamentos para combater a doença.

Os medicamentos utilizados consistem na associação de antibióticos sendo aplicados da seguinte maneira:

Paucibacilares: rifampicina, dapsona – 6 doses em até 9 meses;
Multibacilares: rifampicina, dapsona e clofazimina – 12 doses em até 18 meses.
O paciente precisa comparecer ao posto de saúde mensalmente para tomar a dose supervisionada pela equipe de saúde, e pegar a medicação para as doses que ele toma diariamente em casa.

O tratamento desta doença não prejudica as mulheres que estejam grávidas ou amamentando, pois alguns medicamentos utilizados para combater a hanseníase são eliminados pelo leite. Porém, a mulher lactante pode apresentar uma pele hiperpigmenatda pela clofazimina, ocasionando a regresão gradual da pigmentação, após o término do tratamento.

Prevenção

Um dos principais meios para se prevenir contra a hanseníase é a comunicação prévia, que deve ser realizadas pelas Secretarias de Saúde informando as pessoas sobre a doença. Pois, quanto antes a mesma foi diagnóstica e tratada mais rápido é a recuperação do doente.

As pessoas que conviveram com portadores da hanseníase devem receber informações sobre a doença e ser informados da necessidade de ficar atentos ao aparecimento de sinais e sintomas, visando fazer um diagnóstico precoce.

Além disso, as pessoas que moram ou conviveram com doentes de hanseníases devem tomar a vacina BCG para aumentar a sua proteção contra a doença.

De acordo com pesquisas realizadas no Brasil, a vacina BCG, nesse caso, ajuda a pessoa a ter mais proteção para combater as formas multibacilares da doença.

Matéria publicada no Jornal Vale Vivo

http://issuu.com/jornalvalevivo/docs/edicao38